Ao longo da vida, não bastasse a ardência Dos desejos, dores, folguedos e delírios Transformando em poeira uma suposta essência Cujos horizontes foram duros martírios...
Não satisfeita crudelíssima inclemência, Vãs esperanças, tolíssimos desvarios Aonde crença é embuste, amor é demência... Ternura? Honra? Vigor? Tênues calafrios.
Não bastasse os fúteis esgares musculares De beijos e de contorções e de soluços Entre vírus e bactérias familiares...
Este Ser tão filosoficamente inglório Queda-se, silencioso, rijo, de bruços Nas potentes labaredas do crematório.